Quando estudantes escrevem microrrelatos
Fundamentos do género e análise de produções textuais
Resumo
Este artigo analisa microrrelatos produzidos por estudantes do Mestrado em Tradutologia Latino-Românica da Universidade de Bucareste no projeto “Microrrelatos Fotográficos” (2022-2023). O estudo examina como os estudantes assimilaram as características estruturais e estéticas do microrrelato enquanto género literário autónomo, partindo de uma caracterização teórica que aborda as origens no Modernismo hispano-americano, a consolidação nas Vanguardas históricas e as marcas distintivas como brevidade extrema, economia verbal, natureza elíptica, intertextualidade, humor e fantástico. A análise das produções estudantis organiza-se em quatro eixos fundamentais que demonstram como a elipse funciona como dispositivo de cooperação interpretativa, o fantástico como modalidade de transgressão mimética, a intertextualidade como estratégia de economia narrativa e o humor como mecanismo de condensação textual e crítica social.Através da teoria barthesiana do punctum (Barthes, 2015[1980]), o projeto pedagógico aliou arte fotográfica à criação literária em português língua não materna (PLNM), concebendo o processo de produção textual como um longo continuum de natureza interativa e recursiva (Flower & Hayes, 1981).
Os resultados revelam que os estudantes operacionalizaram eficazmente as estratégias narrativas fundamentais do microrrelato contemporâneo.
