A literatura tradicional no 2.º CEB
Uma rota possível com "A raposa e a cegonha"
Resumo
É consabido que a literatura contribui para a formação integral do ser humano. Mas de que se fala quando se fala de literatura? Que literatura se move em con-texto escolar? A literatura ensina-se? Aprende-se? Educa-se? Ainda que ances-trais, estas questões sempre que revisitadas mantêm atual a reflexão sobre o caráter subversivo e desestabilizador do texto literário e sobre o papel da escola enquanto espaço de inquietação, libertação e transformação numa sociedade cada vez mais subjugada aos interesses neoliberais. Neste contexto, apresenta-se a ironia, caracterizada por um registo acentuadamente otimista e democrático, como estratégia de referência para o questionamento, o desenvolvimento do es-pírito crítico e a subsequente resistência à domesticação do conhecimento. Con-siderando que a literatura tradicional se constitui terreno fértil para a germina-ção da ironia, o que aqui se propõe é a análise do lugar desta literatura nos ma-nuais em vigor, a problematização das orientações de trabalho por eles apresen-tadas e a delineação de uma rota alternativa para o 2.º Ciclo do Ensino Básico. Tomando como exemplum a fábula “A raposa e a cegonha”, procura-se assumir a especificidade comunicativa da literatura, resgatar a essência oral dos textos literários tradicionais fixados pela escrita e promover as potencialidades da iro-nia no texto literário como ferramenta pedagógica para o exercício de uma cida-dania humanista, consonante com os valores que se pretendem para o século XXI.
